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O queijo de madeira do padrinho

Meu padrinho era uma figura rara. Eu o conheci aposentado por invalidez – na verdade, soube que ele trabalhava “no quartel” e que ao carregar um caminhão, este teria batido em sua perna tendo o deixado no hospital por um longo tempo e após um tempo, pela sua dificuldade de locomoção, acabou sendo aposentado – quase um “veterano de guerra” existia algum respeito nisso!!!

Com todo tempo do mundo, ele tinha uma vida interessante e gostava de mexer com todo mundo, era criativo e muito simpático, a ponto dos amigos todos sempre estarem atentos para “pegá-lo” em alguma brincadeira.

Um homem que tinha uma torrefação de café, o Sr. “Paradinha”, encomendou de meu pai um queijo grande de madeira – queijo? não! uma madeira em forma de queijo e com a parte externa envolta em cera vermelha. Meu pai fez e sabia que tinha que manter escondido do compadre, pois se tratava de uma pegadinha pra ele…

Assim, um dia, o “Paradinha”, estacionou sua kombi na frente da casa do padrinho, que era em frente a nossa casa e desceu feliz com um pacote enorme… Um grande e lindo queijo vermelho para ralar de presente!

Aquilo com italianos barulhentos e felizes, chamou a atenção da vizinhança toda – uma certa inveja, certamente correu em alguns sangues por ai…

Paradinha, que entregava café semanalmente nos armazéns do bairro, perguntava… E o Queijo?? e o padrinho dizia: – Ainda não cortei…

Umas três semanas depois vimos um movimento na área externa da madrinha e depois de tentar com todas as facas, o padrinho pega o queijo e atravessa a rua para pedir ao pai uma ferramenta da fábrica para ajudar abrir o queijo – meu pai sugeriu um serrote – assim ele colocou uma toalha grande embaixo pra não perder o queijo que ia esfarelar e começaram a aventura…

Como o meu pai sabia da intenção, usou uma madeira amarelinha e ao serrar, parecia mesmo queijo ralado… ao ver que o padrinho estava acreditando ainda, com o queijo partido ao meio, meu pai disse:
– Não sinto cheiro! Então deu um pouco da serragem para o padrinho experimentar… Furioso, ele juntou as partes e atravessou a rua e à tarde, vimos uma fogueira de queijo.

Meu pai não falou nada e ele nunca disse ao Paradinha que tinha descoberto a brincadeira!